SONETOS DECASSÍLABOS SÁFICOS E HENDECASSÍLABOS
A relação entre os sonetos decassílabos sáficos e os hendecassílabos
É sabido que o soneto nasceu no século XIII... Criado por Giacomo de Lentini e popularizado por Dante Alighieri e Francesco Petrarca, esse magnífico gênero poético conserva sua estrutura clássica por séculos mantendo o rigor das suas formas e seguindo critérios de rimas e metrificações específicas. Predominantemente os sonetos aparecem compostos em versos heroicos, ou seja, composto com versos decassílabos e tônicas nas sextas e décimas sílabas poéticas dos seus versos, no entanto, menos cultuados, mas não menos conhecidos são os sonetos alexandrinos, os sáficos e os hendecassílabos. Os sonetos alexandrinos, considerados por alguns poetas como obras de difícil lapidação, são constituídos de quatorze versos dodecassílabos e cada verso dividido em dois hemistíquios, ou seja, cada verso de doze sílabas deve ser constituído de dois versos de seis sílabas poéticas, divididos por uma cesura na sílaba sexta de cada verso. Como o assunto aqui é dedicado a explanar a relação entre os decassílabos sáficos e os hendecassílabos, deixaremos a abrangência sobre os alexandrinos para uma outra ocasião.
Os versos sáficos aparecem originalmente na poesia lírica da poetisa Safo, figura enigmática que viveu na Ilha de Lesbos cerca de 600 a.C. Sabe-se que sua obra foi queimada em Constantinopla, no período do pontificado do papa Gregório VII e que poetisa é lembrada por seus poemas que exploravam temas como o amor entre mulheres. Não se sabe se originalmente os versos sáficos obedeciam a uma regra específica de metro e de tonicidade, porém predominantemente eram acentuados na terceira, quinta e oitava silabas, sempre carregados de lirismo, de sentimentos e musicalidade impecável. Por volta do século XIV, grandes sonetistas líricos, também influenciados pela beleza lírica e a musicalidade dos versos de Safo, adequaram os versos sáficos para os sonetos, trazendo-os para a métrica dos decassílabos, porém fixando a tonicidade da quarta e oitava sílabas poéticas de cada verso, e intercalando-os entre os versos dos decassílabos heroicos. Dado o difícil labor de sua lapidação, é comum encontrarmos vários sonetos heroicos que tenham alguns versos sáficos em sua estrutura, no entanto é mais raro depararmos com um “soneto sáfico”, ou seja, com todos os seus versos nesse estilo. Há quem diga que basta apenas a tonicidade na quarta e oitava silabas poéticas para que um verso decassílabo seja identificado como um verso sáfico, mas não se deve esquecer o motivo principal do uso da nomenclatura desses versos vem da poesia dos versos de Safo, carregados de sentimentos e de lirismo.
Quanto ao soneto hendecassílabo, não são muitos os poetas que o cultuam, mas podemos dizer que dado à sua musicalidade e sua proximidade com as poesias líricas de Safo, os sonetos hendecassílabos, lapidados com tônicas nas segundas, quintas, oitavas e décimas primeiras sílabas poéticas dos seus versos, teriam maior merecimento do título.
Em tempo, vale lembrar que os versos heroicos são mais comuns em poesia épica e narrativa, enquanto versos sáficos são frequentemente associados à poesia lírica e à expressão de emoções pessoais.
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