CRÍTICA LITERÁRIA - 24/07/2024

 

   Não é fácil compor uma peça literária que se aproxima da perfeição, e aos olhos de muitos poetas, os versos de um soneto são caminhos escorregadios, de dificílimo acesso e que exigem preparo e conhecimento. Criado no século XIII por Giacomo da Lentini e popularizado por Dante Alighieri e Francesco Petrarca, esse magnífico gênero poético vem sendo cultuado há séculos pelos maiores literatos de todos os recantos, passando Camões (século XVI), Gregório de Matos (Século XVII), Felix Arvers, autor do soneto mais traduzido de todos os tempos (século XIX)...  Não se pode afirmar com segurança, quem introduziu o soneto em terras brasileiras, sabe-se apenas que Manoel Botelho, nascido na Bahia em 1636, foi o primeiro poeta que incluiu alguns sonetos em sua coleção de obras líricas, porém há quem defenda que Gregório de Matos Guerra tenha sido o percursor do gênero por aqui.

   É sabido que Olavo Braz Martins de Carvalho Bilac, um dos maiores sonetistas brasileiros e principal defensor brasileiro do parnasianismo, foi um dos principais opositores ao movimento modernista, por defender as obras que primavam pela objetividade, descritivismo e o rigor das construções clássicas.

    Dito isso e seguindo o propósito para o qual O CRIVO foi criado, queremos aplaudir a iniciativa dos organizadores dos vários concursos literários Brasil afora e reiterar nosso apreço e incentivo, pois não haverá melhor maneira de filtrar, qualificar e dar destaque aos autores merecedores dos louros por se dedicarem na lapidação das obras do mais belo fazer poético. Entretanto chamamos a atenção dos mesmos para o zelo e o conhecimento dos árbitros que analisam e classificam tais obras, pois do contrário, ao invés de agregarmos valor a criação poética e reconhecermos novos talentos estaremos incentivando mediocridades e desvalorizando um gênero poético cultuado e valorizado pelos melhores poetas de todos os tempos.

   Não passaram despercebidos aos olhares do CRIVO, os sonetos classificados no 12º FESTIVAL DE SONETOS “CHAVE DE OURO”, promovido pela Academia Jacarehyense de Letras no corrente ano de 2024. Belíssimos sonetos, entre eles, uma obra de dificílimo labor poético composta em versos sáficos parece não ter ganhado a atenção merecida dos árbitros, ficando entre os cinquenta melhores, mas não foi incluído entre os dez primeiros classificados, no entanto entre os laureados pudemos perceber algumas obras com erros crassos de métrica e de rimas, o que em tese impossibilitaria a classificação dos mesmos. E isso entre os avaliados pela comissão julgadora como os dez melhores. Ainda entre os cinquenta melhores que compõem a coletânea do concurso, pudemos perceber poemas compostos de forma tão contrária às regras de um SONETO... desde a métrica à estrutura rímica, com repetições de versos terminados com a mesma palavra em quatro deles em um dos poemas e dez versos terminados com o mesmo sufixo em outro.

   Não passou, também, despercebido pela lente do CRIVO, a publicação no perfil do Facebook do Ateneu Angrense de Letras e Artes, do XXXVIII Concurso de Poesias Brasil dos Reis, 2024, onde divulgaram os poemas classificados por sua comissão em primeiro lugar nos âmbitos nacional e local. Ambos com estruturas e rimas muito diferentes do que se pode considerar um Soneto clássico.

  Faz-se necessário, em respeito ao autor e às obras, a responsabilidade na escolha das pessoas que compõem a comissão de julgadores. É necessário que se tenha conhecimento e critério nas avaliações das obras que estarão sendo laureadas e divulgadas para a apreciação de leitores dos mais variados recantos, pois estas serão de grande valia para o preparo dos novos literatos. 

     Em tempo, reiteramos que o posicionamento e as críticas do CRIVO sempre levarão em consideração o soneto clássico, descartando qualquer “modernização” que contribua para a descaracterização de suas regras específicas e fixas.

 

      O CRIVO

      24/07/2024

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